The Hague, The Netherlands

JOÃO LOURENÇO, PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA

Angola, país diverso na sua composição cultural e nas suas estruturas territorial, económica e social, pode, através do uso inteligente das Tecnologias de Informação e de Comunicação, fortalecer a sua unidade nacional, reduzir as assimetrias, diminuir as distâncias inter-provinciais, fornecer informação igualitária e proporcionar oportunidades similares aos seus cidadãos, incrementando deste modo a dinâmica do seu desenvolvimento.
Com efeito, o uso das novas Tecnologias de Informação e Comunicação é um dos pilares indispensáveis à estruturação e reforço das sociedades contemporâneas. A emergência da Sociedade do Conhecimento exige do nosso Governo e de todos os cidadãos a adopção de novos paradigmas de governação e de novos modelos de relacionamento entre governantes e governados, a fim de se conferir outra plenitude à sua participação na vida social, cultural, educativa, académica, económica e política do país.

A riqueza da Sociedade do Conhecimento reside na sua multiplicidade e na participação dos vários actores sociais que garantem a sua interligação e criam condições para a sua convergência. A construção sólida da Sociedade do Cohecimento impõe, pois, uma congregação de esforços públicos e privados, por forma que a mesma se implemente nas instituições, nos órgãos de soberania, nas escolas, nas cidades e comunas, na administração pública e no sector privado.

Neste domínio, devemos ser ambiciosos e a nossa ambição deve ter a dimensão do nosso território nacional, imprimindo-se um ritmo mais rápido à adopção, utilização e domínio das Tecnologias

de Informação e Comunicação, tendo sempre em conta a nossa realidade, fundamentalmente o nível dos nossos Recursos Humanos e a nossa diversidade cultural e linguística.
A construção da Sociedade do Conhecimento em Angola deve ser encarada como um desígnio nacional e uma prioridade política do Governo, como consagra o Plano de Acção aprovado em 2005 pelo Conselho de Ministros. Efectivamente, o Plano de Acção para a Governação Electrónica, bem como o Plano de Acção para a Sociedade de Informação, constituem duas provas cabais da nossa ambição, no nosso interesse e da nossa visão de futuro, para a concretização de uma Estratégia para o Desenvolvimento das Tecnologias de Informação até ao ano 2010.

O Governo Pretende desenvolver uma acção catalisadora, por forma a transitarmos de uma sociedade reconhecidamente analógica para uma sociedade definitivamente digital, isto é, a passarmos de uma sociedade onde a informção e o conhecimento se encontram apenas ao alcance de uma minoria esclarecida para outra na qual a informação e o conhecimento são produtos ao alcance de todos.

Tenhamos todos, pois, a ousadia e a determinação de criarmos as condições que permitam a emergência e a solidificação da nova era da Sociedade do Conhecimento, a fim de o Povo Angolano poder desfrutar um futuro mais desenvolvido, mais digno e mais sábio.

Fonte: Portal Oficial do Governo de Angola

JOÃO LOURENÇO
PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA

BIOGRAFIA DO PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA

José Eduardo Dos Santos nasceu a 28 de Agosto de 1942, em Luanda, filho de Eduardo Avelino dos Santos, pedreiro reformado, e de Jacinta José Paulino, doméstica, ambos falecidos.

Frequentou em Luanda o ensino primário e, posteriormente, o secundário, no então Liceu Nacional Salvador Correia, actual Mutu Ya Kevela.

Ainda estudante do Liceu Salvador Correia, em Luanda, em finais da década de 50, quando o Movimento Nacionalista Angolano ganhava novo ímpeto com a criação do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Dos Santos inicia a sua actividade política, militando em grupos clandestinos que se constituíam nos bairros periféricos da cidade.

Com o eclodir da Luta Armada de Libertação Nacional, a 4 de Fevereiro de 1961, assiste-se a uma repressão brutal sobre a população de Luanda por parte dos colonialistas portugueses que levaram o MPLA a adoptar novos métodos de luta. Muitos jovens partem para o exterior do país a fim de participarem na Luta Armada.

No dia 7 de Novembro de 1961, com um grupo de seis jovens, José Eduardo dos Santos sai clandestinamente do país, em direcção ao Congo Leopoldville (Actual Congo-Brazzaville).

Pelas qualidades reveladas, José Eduardo dos Santos, então com a idade de 20 anos, desempenha simultaneamente as funções de vice-presidente da JMPLA, organização de que foi um dos fundadores, e primeiro representante do MPLA em Brazzaville. Ainda em 1962, consciente de que a via armada constituía a principal forma de luta contra a dominação colonialista, integra-se no EPLA (designação dos grupos de guerrilha do MPLA).

Em Novembro de 1963 partiu para a URSS, integrando um grupo de estudantes do MPLA a fim de prosseguir os seus estudos superiores no Instituto de Petróleo e Gás de Baku, onde viria a se licenciar em Engenharia de Petróleos, em Junho de 1969.

Durante o período de licenciatura, dinamiza a actividade política entre os estudantes que se encontravam naquele país e torna-se o principal dirigente da secção dos estudantes angolanos na União Soviética.

Concluído os estudos, ingressou numa escola especial na URSS, onde frequentou, durante um ano, um curso militar de telecomunicações, que o habilitou a exercer, de 1970 a 1974, sucessivamente, as funções de operador-chefe do centro principal de comunicações da Frente Norte, e de responsável adjunto dos serviços de telecomunicações na segunda região político-militar do MPLA, em Cabinda.

Em 1974 é designado membro da Comissão provisória de reajustamento da Frente Norte, Responsável das finanças da 2ª Região, e desempenha novamente as funções de representante do MPLA em Brazzaville, até Junho de 1975.

No mesmo ano, em Setembro, foi eleito membro do Comité Central e do Bureau Político na Conferência Inter-regional do MPLA que se realizou na Frente Leste (Moxico), sob proposta do saudoso presidente Agostinho Neto.

Na altura estabelece a coordenação da actividade política e diplomática a nível da 2ª região.

No período conturbado que antecedeu a Independência Nacional, José Eduardo dos Santos é indicado, em Junho de 1975, coordenador do Departamento de Relações Exteriores do MPLA, e organiza a instalação desses serviços em Luanda, assim como desenvolve intensa actividade diplomática que o leva a várias capitais africanas. Cumulativamente coordena também o Departamento de Saúde do MPLA.

Com a proclamação da Independência da República Popular de Angola, a 11 de Novembro de 1975, é nomeado ministro das Relações Exteriores. Durante o período que exerceu essas funções, Angola foi, depois de intensa luta diplomática, reconhecida como membro de pleno direito da OUA, em Fevereiro de 1976, e da ONU, em 1 de Dezembro de 1976.

No I Congresso do MPLA, realizado em dezembro de 1977, foi eleito membro do comité central e do Bureau Político do MPLA- Partido do Trabalho, o que permitiu nos anos compreendidos entre 1977 e 1979, desempenhar as funções de secretário do Comité Central para a Educação, Cultura e Desporto, primeiro, e depois as de secretário do CC para a reconstrução nacional e, mais tarde, para o desenvolvimento económico e planificação.

Entretanto, exerceu o cargo de primeiro vice-primeiro-ministro até Dezembro de 1978, altura em que foi nomeado ministro do Plano.

Em virtude do desaparecimento físico do saudoso presidente António Agostinho Neto, José Eduardo dos Santos foi eleito presidente do MPLA – Partido do Trabalho -, a 20 de Setembro de 1979. No dia seguinte (21) foi investido nos cargos de presidente do MPLA – PT, da República Popular de Angola e de Comandante-em-Chefe das Forças Armadas Populares de Libertação de Angola (FAPLA).

Em Novembro de 1980, foi eleito Presidente da Assembleia do Povo, órgão máximo do poder do Estado.

Em 17 de Dezembro do mesmo ano, o congresso extraordinário do MPLA – PT confirmou José Eduardo dos Santos nos cargos acima referidos.

Na primeira metade da década de 80, lançou as primeiras tentativas de reformas políticas e económicas que se foram sucedendo, sempre, porém, sob pressão da situação de guerra que impediu a rapidez e eficácia da sua materialização.

Em 1985, o 2º congresso do MPLA-PT, confirmou José Eduardo dos Santos em todos esses cargos.

No período compreendido entre 1986 a 1992, dirige os seus esforços para o processo de pacificação do país que assiste, então, à retirada das tropas invasoras sul-africanas do território nacional e o repatriamento do contigente militar cubano.

Em Dezembro de 1986, Eduardo dos Santos ascendeu ao grau militar de general de exercito, a mais alta patente militar em Angola.

A partir daí, com a evolução da situação internacional, registada na região, em especial, pela Independência da Namíbia, são lançadas as negociações que culminaram, em Bicesse, com a assinatura dos acordos de paz e na abertura de Angola ao pluralismo político, à economia de mercado e, sobretudo, à organização e realização de eleições democráticas multipartidárias.

Nestas eleições, o MPLA conquistou a maioria nas legislativas, enquanto José Eduardo dos Santos obteve 49.57 por cento dos votos gerais. No entanto, por impossibilidade da realização da segunda volta, foi reconduzido no cargo de presidente da República de Angola.

Entre as várias distinções obtidas, recebeu, em 29 de Abril de 1993, em reconhecimento dos seus esforços em prol de uma “Angola democrática, livre e pacifica”, do Instituto Nacional Norte-americano da Liberdade (INC) um certificado de distinção.

Eduardo dos Santos recebeu condecorações e distinções da Comissão Nacional para a Justiça Racial da Igreja Unida de Cristo dos Estados Unidos, do presidente namibiano, San Nujoma, do seu homologo Omar Bongo, da Universidade federal do Brasil.

Em 1998, durante o IV Congresso ordinário do partido, José Eduardo dos Santos é reconduzido ao cargo de presidente do MPLA.

Entre os grandes feitos destes últimos tempos, destacam-se a sua luta pela garantia da integridade territorial, conquista e manutenção da paz, estas últimas, por si proporcionadas, e alcançadas em Abril de 2002, na sequência da assinatura, em Luanda, do Memorando de Entendimento Complementar ao Protocolo de Lusaka.

O actual chefe de Estado angolano é co-fundador da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

José Eduardo dos Santos é casado com Ana Paula dos Santos, com quem tem três filhos. Nos tempos livres pratica futebol, andebol, basquetebol, toca viola e tambor, prefere a música ligeira à clássica, gosta de literatura de preferência angolana.

atualizado em Sábado, 24 Julho 2010 21:58

JOSÉ EDUARDO DOS SANTOS
PRESIDENTE DA REPÚBLICA DE ANGOLA